Uma breve história da televisão no Brasil e Amazonas

 A televisão hoje ainda é um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira, mesmo com a intensa força da internet e a pergunta constante que se a TV irá acabar um dia, ela se renova e ainda é presente na vida de todos, em vários lugares. Abaixo veremos a seguir uma breve história da televisão no Brasil e no Amazonas, por meio da Rede Amazônica, o maior grupo de mídia televisivo do norte.

Linha do tempo da televisão brasileira: Do analógico à interatividade

 

Infográfico: Jorge Alberto


Uma Rede genuinamente Amazônica

 

Sede da Rede Amazônica no bairro Aleixo/Foto: Kelvin Dinelli

A chegada da TV no Amazonas

A TV tem inicio no Amazonas somente 15 anos após ter chegado no Brasil, em 1965. A família
Hauache foi a pioneira em trazer para Manaus a primeira TV a cabo do Brasil: a TV
Manauara. Não se sabe quais canais ou que tipo de conteúdo a operadora disponibilizava
para os telespectadores, há relatos que Manaus recebia o sinal do canal 2, de Caracas na
Venezuela. Após 2 anos, por problemas de qualidade do sinal, Sadie Hauache decidiu abrir
mão do canal para brigar por uma concessão de canal aberto, ela conseguiu o canal 38 e
em 5 de setembro de 1967, ia pela primeira vez ao ar a TV Ajuricaba, o primeiro canal de
TV do Amazonas.

A Amazonas Publicidade, o embrião da Rede Amazônica

Em 1969, Phelippe Daou trabalhava no Jornal do Comércio como repórter, após um ano, pediu demissão e juntamente com Joaquim Margarido e Milton Cordeiro, criaram uma
agência de publicidade, a Amazonas Publicidade, para produzir comerciais televisivos. Seu primeiro cliente, foi sua primeira empresa, a Alva da Amazônia. Foi com a Amazonas Publicidade que Daou percebeu que
poderia ter sua própria emissora de TV e desde então entrou na disputa para ter uma
concessão de um canal.

Uma das primeiras matérias de Phelippe Daou/Foto: Kelvin Dinelli

Em 1972, o Brasil ainda vivia sob o regime militar, o governo buscava integrar a amazônia
ao resto do Brasil, com criação de estradas e aeroportos. Mas não era só na infraestrutura
urbana que os militares viam um meio para integração e começaram a abrir concessões de televisão
para tal objetivo, Manaus nessa época tinha um pouco mais de 300 mil habitantes, a Zona
Franca estava começando a fabricar televisores em cores.

Pertences e roupas de Phelippe Daou, alguns deles usados em momentos importantes como a fundação da Rede Amazônica no dia 1° de setembro de 1972./Foto: Kelvin Dinelli
Mesa de Milton Magalhães./Foto: Kelvin Dinelli
Primeira mesa de Phelippe Daou nos primórdios da Rede Amazônica/Foto: Kelvin Dinelli

A criação da Rede Amazônica

Os três sócios formam a Rádio TV do Amazonas Ltda. em junho de 1969 a fim de concorrer
a essa concessão, outorgada em 11 de junho de 1970, sendo que as emissões da
TV Amazonas tiveram início em 1° de setembro de 1972, através do canal 5, com sua sede
localizada no bairro da cachoeirinha, não se encontrando veiculada a qualquer rede
nacional, transmitindo programas adquiridos da TV Record, da TV Cultura, além de filmes,
seriados de distribuidoras como a Fox e a Columbia Pictures e transmissão de jornais
locais, até se tornar afiliada da TV Bandeirantes em 1973. As transmissões da Rede
Amazônica começaram a ser exibidas, surpreendentemente em cores.

Primeiras câmeras utilizadas na Rede Amazônica/Foto: Kelvin Dinelli
Transmissores de sinais UHF a longas distâncias, usados até 1990./Foto: Kelvin Dinelli
Câmeras BetaCam, usadas entre 1970 e 1980./Foto: Kelvin Dinelli

Phelippe Daou se aproximou do governo e conseguiu mais concessões para expandir a
Rádio e TV do Amazonas para outros estados. Em 1974 conseguiu instaurar TVs em
Rondônia e Acre e em 1975, no Amapá e Roraima. A programação dessas TVs era
enviadas por meio de barcos e aviões, antes do início da transmissão por satélite no norte
do Brasil.

Primeiros scripts do Jornal do Amazonas, o primeiro telejornal da emissora./Foto: Kelvin Dinelli
Alguns dos pertences de Titio Barbosa, criador do primeiro programa infantil da Rede Amazônica: Sonho de Pópi.

Nesta época a TV Ajuricaba, após inicialmente retransmitir programação da TV Tupi e Rede
Record, em 1974, foi convidada pelos diretores Boni e Walter Clark a fazer parte da Rede
Globo. A campanha das Diretas Já, em 1983 e 1984 foi um divisor de águas na história da
emissora, que era favorável à reabertura política e da democracia do país e acusava a
Rede Globo de se opor contra tais progressos. O governo militar por sua vez pressionou a
emissora a não renovar o contrato com a TV Ajuricaba. Após 2 anos de desentendimentos,
A Família Hauache, por questões políticas e financeiras, optaram por encerrar sua parceria
com a Rede Globo e vender sua concessão, com todas as suas retransmissoras.

Crachás de Phelippe Daou./Foto: Kelvin Dinelli
Parte do escritório de Phelippe Daou em meados de 1970./Foto: Kelvin Dinelli

A Rede Amazônica como afiliada da Rede Globo

A Rede Amazônica, que já tinha uma certa afinidade com diretores da Rede Globo, assina
em 1986 um contrato oficializando a emissora como afiliada da TV Globo. Desde então a
emissora passou por um constante processo de modernização de sua programação
a fim de passar a qualidade de conteúdo da TV carioca, o famoso “Padrão Globo”. A Rede Amazônica a ser o porta voz da comunidade do norte para o resto do Brasil, levantando a causa da sustentabilidade e do meio ambiente para discussões. A década também é marcada pela chegada do apresentador Eduardo Monteiro de Paula, um dos maiores jornalistas do norte do Brasil, sempre saudando os telespectadores com seu
famoso “Olá! Salve, salve!”.

Canoplas que mostram a transição da Rede Amazônica como afiliada da Globo./Foto: Kelvin Dinelli
Alguns dos primeiros VTs usados na emissora./Foto: Kelvin Dinelli

A modernização

Nos anos 90, a Rede Amazônica cria o CEDOC, Centro de Documentação das programações da emissora, que hoje conta com mais de 20 mil fitas e 75 terabytes de gravações digitais e a AVG, a Amazon Video Graphics, que tem como objetivo a produção de comerciais da emissora e conteúdo gráfico da programação.

CEDOC, o Centro de Documentação audiovisual da Rede Amazônica./Foto: Kelvin Dinelli
AVG, responsável por produzir comerciais e identidade gráfica da emissora./Foto: Kelvin Dinelli

Na década de 2000, a Rede Globo cede um espaço para as TVs locais transmitirem conteúdo de entretenimento próprio, era a estreia do programa Zappeando, inicialmente apresentado por Eduardo Monteiro de Paula e com variação de apresentadores ao longo dos anos. Na década de 2000, o jornalismo da Rede Amazônica começa a ficar mais dinâmico, com estúdios maiores e melhores equipamentos. Jornalistas como Cléo Pinheiro, Daniela Branches e Daniela Assayag estreiam na emissora.

A chegada da TV digital à Rede Amazônica

Em 2010, a Rede Amazônica passa a exibir sua programação em sinal digital, no canal 5.1, e novamente passou por uma grande reformulação, desde equipamentos até a sua programação e cenários, passando a transmitir programas mais regionais, como o Paneiro, apresentado por Oyama Filho e a reformulação do Zappeando pelas mãos de Moacyr Massulo.

Redação da Rede Amazônica em 2018./Foto: Kelvin Dinelli
O jornalista Thiago Guedes, apresentador do Globo Esporte./Foto: Kelvin Dinelli
Os jornalistas Breno Cabral e Raquel Mendonça./Foto: Kelvin Dinelli
A redação da Rede Amazônica foi rebatizada em 2017 como “Espaço Milton Cordeiro de Jornalismo” em homenagem ao antigo diretor de jornalismo da emissora./Foto: Kelvin Dinelli
Engenharia de transmissão em manuntenção./Foto: Kelvin Dinelli
Parte do cenário dos jornais locais da emissora./Foto: Kelvin Dinelli
Switchers de programação integrada da emissora./Foto: Kelvin Dinelli
Cenário do programa esportivo Globo Esporte AM./Foto: Kelvin Dinelli
Câmeras com teleprompter nos estúdios da emissora./Foto: Kelvin Dinelli
Estúdio do programa Paneiro./Foto: Kelvin Dinelli

A despedida dos três fundadores e seus legados

Em outubro de 2016, morrem em Manaus Joaquim Margarido e Milton Cordeiro e em dezembro do mesmo ano, em São Paulo, morre Phelippe Daou, principal fundador da Rede Amazônica. Phelippe Daou Jr assume como CEO da Rede Amazônica, trazendo uma nova era de inovações à emissora.

Os fundadores da Rede Amazônica: Phelippe Daou (acima), Milton Magalhães (ao lado) e Joaquim Margarido (abaixo)./Foto: Kelvin Dinelli

A Rede Amazônica, enquanto pioneira em e tecnologia e excelência das suas tarefas e no jornalismo factual e isento, mostra total vitalidade como um veículo de comunicação mesmo após quase 50 anos de existência, o compromisso que foi afirmado com a população jamais foi desvirtuado para servir de propósitos mesquinhos e de interpretação duvidosa, a emissora sempre procurou ter uma integração com a população, que refém de seus tormentos causados pelo poder público, agora pode ter sua voz ouvida pelas autoridades. A integração com a amazônia é indiscutível aqui, a empresa está presente em 5 estados da região norte, se o objetivo de estar presente nesses estados fosse somente o lucro e monopólio, talvez a floresta amazônica, enquanto propriedade soberana da nação, estaria sobre risco. Phelippe Daou, junto com Milton Cordeiro e Joaquim Margarido, foram defensores do meio ambiente e poucos a insistir que a sustentabilidade e o progresso poderiam andar lado a lado. Os fatos no projeto apresentado, mostram um conceito de trabalho da emissora acima de qualquer suspeita, apenas uma livre iniciativa democrática ao alcance de todos, em vários lugares.

 


Responsáveis pelo projeto

Beatriz Araújo,  Beatriz Silveira, Bruno Sarrazin, Caio César, Hariel Fontenelle, Jorge Alberto e Kelvin Dinelli.

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