Notícias falsas, jornalismo e paz foram temas da II Jornada de Comunicação promovido pela Arquidiocese de Manaus

Com o avanço das redes sociais, a criação de conteúdo deixou de ser exclusiva de jornais e revistas, e se tornou algo público. Isso mesmo, qualquer pessoa atualmente pode criar notícias e publicar na rede mundial de computadores, até aí, tudo certo. O problema são as notícias que não são apuradas corretamente ou mesmo são inventadas, com o objetivo muitas vezes, de caluniar ou apenas chamar atenção da sociedade. Elas já têm até um nome “fake news”, e vem se espalhando não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Sobre esse tema, foi realizado em Manaus, de 6 a 13 de maio, a 2ª Jornada da Comunicação promovida pela Pastoral da Comunicação Arquidiocesana, com o tema: Fake news e jornalismo de paz. Grande parte do debate presencial, ocorreu no Auditório Mãe Paula, no Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus (Cefam), localizado na Av. Joaquim Nabuco, 1023 – Centro. A outra parte aconteceu entre os dias 6 e 10 de maio, através de uma movimentação virtual.

O tema da jornada foi baseado em: “A verdade vos tornará livres” (Jo 8:32), mensagem do Papa Francisco, para o 52º Dia das Comunicações Sociais. O evento contou com palestras, roda de conversa, mesa redonda e oficinas, todos com profissionais ligados a comunicação. Destaque para a professora do Centro Universitário do Norte (Uninorte/Laureate) e radialista, Manoela Moura, que participou da mesa redonda com o tema “Notícias falsas e jornalismo de paz”.

Para Monsenhor José Sabino, que no ato representou Don Sergio, arcebispo de Manaus, o evento foi realizado para gerar debate e desconfiança diante de um mundo invadido por mentiras. “O primeiro cuidado é o de não disseminar a mentira que destrói, checando as fontes e tendo respeito pelas vidas afetadas pela divulgação de fatos constrangedores. É preciso que tenhamos um compromisso com a verdade. É por amor que nós narramos os acontecimentos. Amor ao ouvinte, telespectador e leitor, que eu quero que seja bem informado. Amor e respeito pelos envolvidos no evento, que pode levar ao silêncio, mas nunca à mentira. Numa sociedade onde se exige que tudo seja transparente, não podemos esquecer que as pessoas têm direito à privacidade”, disse José Sabino.

Pesquisa fake news

Para se ter uma ideia de como as notícias falsas estão atrapalhando a vida das pessoas, a Universidade Americana de Stanford realizou uma pesquisa com 7.804 alunos dos ensinos fundamental, médio e superior. Destes, 40% não conseguiu detectar fake news e tiveram problemas para checar a credibilidade das informações divulgadas na internet.

Um fator preocupante para esse ano letivo, são as fake news nas eleições. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país não terá como fiscalizar a proliferação das falsas notícias neste pleito. “Acho que é impossível. Desde que o mundo é mundo, as pessoas mentem”, disse o ex-ministro do TSE, Marcelo Ribeiro, durante o Encontro de Lideranças Nacionais, organizado pelo escritório Bonini Guedes, na última sexta-feira (11), em São Paulo.

Agora você pode estar se perguntando, porque não se cria uma lei contra as “fakes news”, para assim inibir sua disseminação? A resposta está na “liberdade de expressão”. Ribeiro não acredita que a liberdade de expressão seja o que devemos observar a todo custo sem qualquer exceção. “Deve haver controle estatal, embora esse controle sempre será ineficiente. Não vai conseguir cortar o problema. Vai conseguir minorar, talvez”, disse.

Por Wallace Girão

Fotos: Alexandre Alaphillippe e Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus

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