Violência e preconceito contra os gêneros

O dilema enfrentado na sociedade moderna por mulheres e LGBTs do Amazonas

“Não importa os motivos, ainda que seja imoral ou asqueroso perante a sociedade, ninguém tem o direito de bater ou matar ninguém” afirma a delegada Débora Mafra em entrevista sobre o tema violência e preconceito contra os gêneros. Essa frase soa até clichê, mas ainda é um problema muito presente na sociedade, principalmente quando falamos das classes consideradas “minorias” como é o caso das mulheres e LGBTs.

No Brasil crescem os números de violência, no primeiro semestre desse ano foram registrados 28,2 mil homicídios de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), divulgados pelo jornal Estado de São Paulo. E o estado do Amazonas também revela dados alarmantes, segundo o Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP) entre os anos de 2016 e 2017 houve um total de 11.379 denúncias de violência doméstica, onde metade delas acabou em feminicídio e aproximadamente 40 homicídios contra LGBTs. Como mostra os dados exibidos no infográfico:

Os números em si refletem como é importante procurar ajuda para que essas histórias não continuem se repetindo, silenciosamente disfarçadas de ciúme ou patriarcada. Para reverter esse quadro conheça os seus direitos.

Débora Mafra responsável pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) que é localizada na Avenida Mário Ypiranga, bairro Parque Dez, zona centro-sul da capital, disse que são registradas 30 ocorrências por dia de violência doméstica e mesmo com a existência da lei Maria da Penha, muitas vítimas não denunciam por conta da família, condições financeiras ou ainda, se sentirem culpadas pela agressão. Mas, a delegada explica os reais motivos desse tipo de violência:

Esse ciclo vicioso vem se rompendo com os avanços da lei Maria da Penha, como o alerta rosa, botão do pânico, medidas protetivas e a ronda Maria da Penha que está sendo implantada em alguns bairros no estado do Amazonas para facilitar a comunicação entre as vítimas e autoridades. “E isso traz uma grande satisfação a elas, pelo fato desses novos canais de comunicação deem uma segurança e a certeza de que elas não serão novamente agredidas”, enfatiza Débora Mafra.

Os impactos da violência são percebidos na vida pessoal e profissional dos envolvidos que convivem nessas situações de risco por medo das ameaças de morte e relação afetiva com seus agressores. Ana (nome fictício) vítima de violência doméstica conta que já sofreu 5 agressões físicas e por vergonha dos hematomas, dificuldades ao caminhar, deixava de ir trabalhar, o que a fez perder 2 empregos. E agora, pretende tomar uma atitude para mudar essa situação:

A dificuldade em denunciar e anseio pela mudança nos atos do agressor, chega a se tornar uma Síndrome de Estocolmo que impede as autoridades de proteger as vítimas com as atitudes cabíveis, previstas na lei. “Ele me bate e no outro dia está tudo normal para ele, não me pede desculpas e ainda quer me usar. E aí você gosta daquela pessoa, aceita tudo isso e acaba não denunciando”, relata Ana.

Uma realidade que atinge não só mulheres, mas LGBTs em todo o mundo, justamente pela fragilidade associada a eles e intolerância com o que não se encaixa nos padrões tradicionais da sociedade. No Amazonas, o vlogueiro Pepê e a travesti Maria Moraes descrevem esse problema social como uma luta constante para que não sejam mais vistos como minorias e tenham igualdade, respeito entre todas as pessoas, independente de sua identidade de gênero.

As situações de violência não devem retrair, mas motivar esse enfrentamento, para que haja uma mudança é preciso sair da sua zona de conforto e fazer alguma coisa, como relatam Pepê e Maria:

As taxas de mortes por violência aumentam a cada ano e quais motivos? Os mais diversos possíveis que revelam distúrbios sociais, resultado da falta de empatia. Para tomar novas medidas, partimos da consciência de que cada um pode sim, fazer a diferença no meio em que vive.

O empoderamento entra em cena como mais um agente dessa transformação que a passos lentos, busca assegurar os direitos das minorias e a desconstrução do pensamento arcaico. “Todos devemos ser heróis das nossas próprias histórias e não esperar por ninguém. Nós que estamos de fato fazendo a diferença, mudando não só a nossa vida, mas também a vida da sociedade, para que repensem os valores constituídos hoje e os valores de humanidade”, conta Maria Moraes.

Comunicar hoje é muito mais do que tornar pública uma história, trabalha o preconceito enraizado em todas as noções éticas e morais que guiam a convivência social. Cria um “novo olhar” dessas diferenças de gênero que procura estimular a liberdade de expressão e aceitação entre todos. Maria diz que muitas pessoas têm uma imagem errada sobre a luta dos LGBTs, mas a comunicação atual está cada vez mais próxima do público e tem fator decisivo nessa transição. “É importante construir novas narrativas sobre LGBTs na mídia que não vitimassem, mas que retrate os desafios enfrentados para viver em sociedade”, conclui.

A boa comunicação entre famílias é um intermédio para a quebra de paradigmas, quando se expõe o pensamento sem imposição ou confronto começa então, a verdadeira mudança. “A falta de diálogo é um grande desafio, é preciso ter diálogo, conversar sobre esses assuntos dentro de casa, se abrir para a família e é crucial que a família dê abertura para as conversas que envolvam essas questões. Falar é importante, falar salva vidas” esclarece Pepê.

Todo mundo conhece ou já ouviu falar de algum caso que envolve a violência e preconceito contra os gêneros, os efeitos são devastadores, como estresse pós-traumático, depressão ou até algo mais grave e causam polêmica pela “normalidade” conforme vem sendo tratados perante a sociedade.

A educação age na ruptura dos conceitos ligados a violência, tendo o papel de formar cidadãos com um pensamento crítico-social que valorize as semelhanças e diferenças que fazem parte de toda nossa nação. A psicóloga Lilian Porto nos revela que a mudança de pensamento se faz a partir disso. Confira:

                            

Veja agora a galeria de fotos com os personagens e especialistas que compõe essa matéria:

Por Ian Santos e Louise Reis

Montagem de Fotos: Reinaldo Okita e Dora Brasil

Vídeos: Ian Santos

Infográfico: Louise Reis

Galeria de Fotos: Ian Santos e Louise Reis

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Links de matérias relacionadas:

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2017/03/pais-teve-mais-de-500-mulheres-agredidas-por-hora-em-2016.html

https://www.em.com.br/app/noticia/especiais/dandara/2017/03/09/noticia-especial-dandara,852965/brasil-e-pais-que-mais-mata-travestis-e-transexuais.shtml

https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/uma-semana-de-mortes-o-retrato-da-violencia-no-brasil.ghtml

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