Marshall McLuhan, o visionário do presente

É possível ao homem vencer as barreiras geográficas e culturais que nos separam? Embora a segunda opção ainda seja um desafio, a primeira, atestam os conceitos herdados pelo filósofo Marshall McLuhan, já foi derrubada. Ideias como a “aldeia global” demonstram que estamos mais próximos, uns dos outros, do que jamais estivemos. Contudo, quais são as implicações que esse novo contexto social nos traz? Além das vantagens, há também novos desafios que se apresentam ao homem moderno.

 

As mídias digitais encurtam distâncias e aproximam todos os nós que compõem a sociedade de rede mundial.

Nos primórdios da humanidade, a comunicação se dava de forma aproximada, porquanto era feita direta e oralmente, como numa aldeia. A imprensa dilatou a extensão da comunicação, ampliando o alcance dos nossos sentidos. Porém, ela ainda era limitada a um nível local, visto que nenhum jornal, por exemplo, consegue retratar notícias de todas as partes do mundo. É necessário lembrar, ainda, que, para McLuhan, tudo que beneficia o homem e que for criado por ele é uma forma de extensão do próprio corpo. O livro, portanto, é uma extensão do olho; as roupas, da pele; a roda, dos pés, etc.

Entretanto, as novas mídias digitais, como a internet, “retribalizaram” o homem ao ampliarem ilimitadamente o alcance dos sentidos humanos, devolvendo-nos uma experiência semelhante às das aldeias, no sentido de que experimentamos hoje, em escala global, a mesma fluidez de informação que um espaço limitadíssimo como o de uma tribo experimentava.

É possível, por exemplo, que um asiático converse, através do celular, com um brasileiro, simulando as mesmas características de uma conversa cara a cara. Dessa forma, a comunicação pela internet, por simular todos os sentidos, torna-se uma forma contemporânea desse diálogo tribal.

Toda essa conexão, embora traga inúmeras vantagens, como a fácil propagação de informações, também apresenta desafios. Diante da integração dos povos, diferentes culturas misturam-se, o que, por um lado, torna a humanidade mais cosmopolita. Mas, por outro, estimula grupos extremistas a agirem de forma mais coercitiva, sob o pretexto de “preservação da integridade cultural.” O homem moderno se vê diante de novos problemas que afetam tanto a política quanto os debates diários.

O autor

Marshall também acreditava que esse processo daria nascimento a uma “sociedade mundial”, na qual os indivíduos seriam guiados por ideias gerais, que poderiam ser transmitidas a despeito de barreiras físicas ou culturais. McLuhan estudava os impactos dos mass media – tevê e rádio – sobre a população. E, hoje, intelectuais estendem essas noções aos impactos provocados pela internet.

McLuhan nasceu em Edmonton, Canadá, em 21 de julho de 1911. Aos 23 anos, fez-se Mestre em Literatura Inglesa pela Universidade de Manitoba, e, em 1942, Doutor em Filosofia pela Universidade de Cambridge. Com a publicação de sua magnum opus, “Os meios de comunicação como extensões do homem”, em 1964, tornou-se reconhecido e recebeu convites para palestras e participações em programas de televisão. Falecera em 31 de dezembro de 1980, em Toronto, enquanto dormia. Herbert Marshall McLuhan foi o primeiro filósofo das transformações sociais provocadas pela revolução tecnológica do computador e das telecomunicações. E mostrou-nos um vislumbre da integração global que se vive hoje.

Por André Sabóia, Bárbara Rafaella, Filipe Távora, Rebeca Cavalcante

 

 

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