Opinião: Narcisismo nas Mídias Sociais

06.05.2013

É cada vez maior o número de pessoas que utilizam as mídias sociais para se relacionarem e, com isso, construírem um mundo paralelo à realidade. As mídias sociais surgiram com o intuito das pessoas se socializarem através da internet: facebook, twitter, instagram e outros acabaram se tornando uma extensão da vida real, onde as pessoas dividem sua rotina e momentos que consideram importantes, através de fotos e comentários com grupos de “amigos”, que consideram aptos a compartilharem a realidade de suas vidas.

Muitas vezes, esse mundo paralelo nem sempre reproduz a realidade da vida dos usuários destas redes e ali, cada um pinta seu mundo da cor que quiser.

É cada vez mais perceptível as pessoas deturparem o objetivo real dessas ferramentas, causando a banalização dos conteúdos publicados. O excesso de fotos de usuários compartilhando momentos de suas rotinas com o intuito de se enaltecerem é cada vez mais comum.

A necessidade de compartilhar cada passo, cada ação e cada momento, tem se tornado algo frequente na vida dos usuários, que não conseguem sequer fazer uma refeição do seu dia sem publicar nas redes sociais. Até que ponto é interessante para seu grupo de amigos saber o que você vai comer no almoço ou na janta? Saber qual será a cor da sua unha da semana, ou ver você escolhendo em frente ao espelho a roupa que você irá usar na festa da noite?

O narcisismo é um termo usado para uma pessoa que tem paixão por si mesmo. A palavra é derivada da mitologia grega.

Narciso era um jovem e belo rapaz que rejeitou a ninfa Eco que, desesperadamente, o desejava. Como punição, foi amaldiçoado de forma a apaixonar-se incontrolavelmente por sua própria imagem refletida na água. Incapaz de levar a termos sua paixão, Narciso suicidou-se por afogamento.

Em psicologia e psiquiatria o narcisismo excessivo é reconhecido como um estado patológico. Os termos “narcisismo” e “narcisista” são frequentemente utilizados como pejorativos, denotando vaidade ou egoísmo.

Contudo, conseguimos perceber como as pessoas, usuárias das mídias sociais, encontram nesta ferramenta a melhor forma de se expor na sua forma mais íntima. Envaidecidas com a possibilidade de bombardearem seus “amigos” com seu egoísmo ao extremo, acreditando que todos acham necessário saber de cada passo dado, de vê-las em suas diversas poses, denotando sua extrema vaidade. Não acredito ser necessário esse excesso visto hoje, que foge do sentido principal das mídias sociais: o de se relacionar.

Esses usuários acreditam que a sua realidade é muito importante a ponto de quererem publicar cada acontecimento. Eles acreditam que todos, realmente, querem saber cada passo dado, como o fato de você ir para academia, como o fato de ver o que você vai comer, como o fato de saber que roupa você vai usar hoje…

O objetivo das redes e mídias sociais é sim, de publicar fotos e comentários e, realmente, é um espaço dedicado para as pessoas compartilharem seus momentos e opiniões, porém, o excesso de narcisismo tem prevalecido nas redes.

Registro meu respeito pelos usuários que utilizam estas ferramentas dessa forma, porém, acredito que o excesso desse conteúdo publicado causa cansaço em quem assiste a essa realidade. Espero compartilhar momentos e conteúdos interessantes nas mídias sociais, não exceder com a vaidade, como uma boa parte dos usuários tem feito. Precisamos ter o cuidado com o fato de que as mídias sociais podem nos proporcionar momentos de celebridades.

Os avanços tecnológicos possibilitaram essa socialização através das novas mídias. As possibilidades são diversas e os meios pelos quais podemos nos socializar e atualizar os conteúdos com nosso meio é cada vez maior. Smartphones, tablets, notebook, netbook, microcomputadores e muito mais são meios que, hoje, possibilitam toda essa interação e socialização com pessoas com quem estudamos anos atrás, que moram em outros países, outras cidades e que assim, podem acompanhar nossa realidade.

Esses meios de comunicação ganharam grande espaço em nossas vidas, e como acreditava Marshall McLuhan, os meios são a extensão do homem, e esses meios implicam nas relações humanas. Ou seja, como exemplo prático, quase ninguém na sociedade atual não possui aparelho celular. Sem ele, o indivíduo se sente como sem um braço, sem uma mão, pois este aparelho já é uma extensão do seu corpo, sendo quase impossível realizar as atividades diárias sem o mesmo.

Estamos cada vez mais dependentes desses meios para realizarmos nossas atividades diárias e nos socializarmos. Estaremos fora do sistema se não nos atualizarmos a tal realidade. Os meios pelos quais nos socializamos atualmente nos possibilitam criarmos nosso mundo paralelo com as mídias sociais.

A Revista Galileu divulgou um infográfico que mostra a força das mídias sociais e como elas são usadas pelos brasileiros: mais de 90% dos internautas no Brasil participam de canais deste tipo e 41% pesquisam nas redes antes de comprar algo. Ou seja, esses dados reforçam a conclusão de que cada vez mais as pessoas estão se rendendo a estes meios e que eles são usados até como referência, daí a necessidade do cuidado com o conteúdo publicado.

Com todas essas informações, concluímos que as mídias sociais são hoje uma das principais formas de nos socializarmos e devemos perceber e ter bom senso de até onde devemos ir com o conteúdo publicado. Ainda que aquele mural ou espaço seja só seu, lembre-se de que você possui pessoas conectadas a você, que também desejam receber atualizações relevantes sobre você, como os registros importantes sobre sua vida.

Afinal, quem nunca publicou uma foto em uma viagem, ou fotos em momentos especiais de suas vidas? Publicamos, sim, mas há uma grande diferença entre publicar conteúdos marcantes e importantes de sua vida e bombardear seus “amigos” com seus excessos de vaidade.

Não se trata de uma aversão as publicações de fotos e conteúdos particulares de cada um, trata-se de um posicionamento que visa o cuidado com o excesso, pois tudo em excesso perde sua essência, seu sentido.

Texto: Juciana Santos

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *