ARTIGO – Rumo ao fim do Futebol Brasileiro

01.03.2012

Tronou-se comum ouvir dizer que o Campeonato Brasileiro de Futebol é uns dos melhores, quiçá, o melhor do mundo, fato esse, deve-se, em grande parte, à competitividade entre os clubes do país. Se analisarmos os últimos 10 torneios, encontraremos 6 laureados diferentes e ainda 7 vices diferentes, ou seja, ao contrário da Europa e de até outras ligas da América do Sul percebe-se uma rotatividade maior de clubes brasileiros vencendo torneio. Isso é o que torna o campeonato emocionante, disputado e altamente elogiado. Na Itália, em 10 edições, houve 3 campeões diferentes, na Inglaterra 4 e nem falo da Espanha.

Esse último servirá como molde para a construção deste texto.

Como em qualquer liga do mundo existe a transmissão de TV e os direitos de imagem. Então cada emissora e cada liga organiza uma maneira de distribuição das cotas para os clubes. Na Espanha esses direitos são negociados separadamente ou individualmente, ou seja, cada clube negocia sozinho junto a emissora que transmite o campeonato. Nos últimos dez certames apenas o Valência em 2004 se intrometeu na vida daqueles que se tornariam ainda mais fortes, as superpotências do futebol mundial, Barcelona e Real Madrid. Como na “La Liga” os clubes do Brasileirão passaram a negociar individualmente com a Rede Globo. Esse processo se deu após um motim, de cunho político. Corinthians e Flamengo iniciaram a debandada que culminou no fim do Clube dos 13. Com a grande proximidade e a liberdade da emissora com os clubes viu-se um abismo (entre os dois times e o restante) ser aberto.

Vamos aos números:

Primeiro escalão:

Flamengo e Corinthians- R$: 150.000.000,00

O Segundo escalão:

Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco – R$: 105.000.000,00

O terceiro escalão:

Botafogo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Atlético-MG e Cruzeiro – R$ 80.000.000,00

De acordo com os dados percebe-se uma diferença de 40% entre os primeiros e os que estão no terceiro escalão. De acordo com a emissora esses valores são definidos a partir do tamanho das torcidas. Aqui entramos em outra discussão. A última pesquisa do Datafolha entrevistou menos de 5% da população brasileira e cravou que o Corinthians estava empatado com Flamengo e ainda que a torcida da Portuguesa era a mesma do Fluminense. Perdoe-me aqueles que não concordem, mas essa “pesquisa” é pífia e não merece servir como base pra nada, aliás, nunca fui perguntado por nenhum instituto desse tipo, sobre nenhum assunto de destaque. Convenhamos, definir uma divisão como esta sendo que não se pode ter uma exatidão quanto a número de torcidas no país é mais pura das inconsistências que se viu e beira até a desconfiança de um possível favorecimento . Não quero dizer que as maiores torcidas não são essas, uma vez que o rádio e a TV, ao longo de sua história tiveram e tem uma parcela muito grande para que esse resultado seja parecido.

Enfim, o campeonato brasileiro pode estar passando por um processo de “espanholalização” e criar dois times muitos fortes e o resto, meros coadjuvantes. E o que acontecerá com a competitividade, que é marca do campeonato? E o que acontecerá com o Campeonato Brasileiro? Poe exemplo, com o cenário atual o Brasil é o país que mais classificou times para disputar a libertadores, 27 ao todo, tem times fortes e esses, uma visibilidade grande no exterior agora imagine que haja uma polarização, como ficam as receitas dos clubes? Enquanto dois ganham uma parcela maior da televisão, (automaticamente aumentam o tempo na grade de programação, a torcida e o valor da marca) as outras centenas de clubes no país praticamente estagnarão. É um caso sério a se pensar, obviamente os menos interessados na mudança desse cenário futuro serão os torcedores dos dois times beneficiados. Acredito que são poucos aqueles que acompanham o futebol espanhol, principal um jogo como Barcelona x Xerez, por exemplo.

A conclusão é que mesmo se o campeonato subir no ranking da IFFHS deveria ser na lista dos mais chatos do mundo. Existirão aqueles que defenderão a qualidade técnica dos times, mas chega um ponto em que a ‘mesmice’ enjoa.

Depois de toda explanação, podemos chegar acordar que a solução é a criação de uma liga justa e igualitária, independente da CBF, que reorganize campeonatos, calendário e tenha interesse em tornar superpotência o futebol nacional e não apenas alguns clubes. Acreditar numa mudança da Confederação e da emissora é uma utopia não muito saudável.

Por Leonardo Sena

Foto: Divulgação

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